O fenômeno Pablo Marçal
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- 27 de ago. de 2024
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Pablo Henrique Costa Marçal, filiado ao Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), é um ex-coach, empresário, político e influenciador digital brasileiro, nascido em Goiânia, em 18 de abril de 1987. Apesar de sua trajetória política recente, tornou-se mais reconhecido por vender cursos de desenvolvimento pessoal nas redes sociais.
Sua maior exposição ocorreu em 2022 quando organizou uma operação de resgate ao Pico dos Marins, que fica na Serra da Mantiqueira em São Paulo. Essa operação exigiu a intervenção do corpo de bombardeiros porque 32 pessoas estavam em risco de morte.
No mesmo ano, foi pré-candidato à presidência da República pelo Partido Republicano da Ordem Social (PROS), mas sua candidatura não foi homologada em razão de divergências internas no partido, que decidiu apoiar Luiz Inácio Lula da Silva. À revelia do partido, Marçal apoiou o candidato da oposição, Jair Bolsonaro. Também nas eleições gerais de 2022, candidatou-se a deputado federal por São Paulo e obteve 243 mil votos, porém, após decisão liminar do ministro Ricardo Lewandowski, do Tribunal Superior Eleitoral, sua candidatura foi impugnada.
Nas eleições gerais no Brasil em 2022, declarou um patrimônio de 16,9 milhões de reais, que posteriormente foi aumentado para 96,2 milhões de reais.
Política
O candidato à Presidência da República e o seu cancelamento.
No âmbito das eleições presidenciais de 2022, o PROS anunciou a candidatura de Pablo Marçal à presidência da República, após convenção em 31 de julho de 2022, sob a liderança de Marcus Holanda. Esta seria a primeira candidatura independente do partido, porém, Eurípedes Júnior, recentemente empossado presidente do PROS, apresenta novo pedido do partido, que cancela a candidatura de Marçal e aprova a candidatura de Luiz Inácio Lula de Silva. Em conversa publicada pela Folha, Holanda disse que esperava 200 milhões de reais de Marçal, arrecadados por vaquinha de seus seguidores nas redes sociais. A licitação recebeu R$ 485 mil em doações de pessoas físicas. Marçal recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral, com posicionamento favorável do Procurador-Geral Eleitoral, pelos motivos de que a nova convenção não respeitou o prazo estabelecido na legislação. Contudo, o Poder Legislativo rejeitou o recurso e confirmou o cancelamento do pedido, reconhecendo a legitimidade da decisão de Eurípedes Júnior. Independentemente do partido, Marçal declarou apoio à reeleição de Jair Bolsonaro. Em junho de 2023, Marçal disse ter sido vítima de perseguição porque “sabem que um dia serei presidente do Brasil”.
Ao tentar anular legalmente a decisão do partido, Marçal também pediu ao TSE permissão para participar do primeiro debate presidencial promovido pela banda em 28 de agosto de 2022, mas Maria Claudia・Ministro Bucchianeri rejeitou o pedido. Em resposta, o ex-candidato presidencial organizou uma manifestação de protesto em frente à estação da emissora. Embora nem sequer tenha sido registado como candidato presidencial, meios de comunicação como Veja e o Diário de Notícias de Portugal destacaram o fato de Marçal ter colocado em risco a vida da população do Pico dos Marins.
Candidato ao Congresso em 2022.
Apesar da retirada da sua candidatura presidencial, candidatura Marçal concorreu a deputado federal por São Paulo. Concorreu a deputado federal por São Paulo sob judice. Esta foi uma forçada a candidatura porque, até o final de setembro de 2022, seu registro não foi aprovado pelo TRE -SP. Ainda assim, ele foi um dos vinte candidatos mais populares, recebendo 243 milhões de votos. Seu registro não foi aprovado pelo TRE -SP. Apesar disso, ele é um dos vinte candidatos mais populares, recebendo 243 milhões de votos. O TRE-SP aprovou o registro da candidatura em 6 de outubro. Após a retotalização dos votos, Marçal tornou- se temporariamente uma condição de eleito. Apesar disso, o pedido foi indeferido pelo Tribunal Superior Eleitoral, e Paulo Teixeira, foi eleito para ocupar o cargo de Marçal. Paulo Teixeira do PT foi eleito para ocupar a posição Marçal.
Segundo semestre de 2022
Marçal apoiou a campanha de Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2022, tendo inclusive participado de live com o presidenciável. Segundo a Folha, Carlos Bolsonaro chamou Marçal de "coach malandrão" e o acusou de querer vantagens financeiras ao apoiar Bolsonaro. O apoio incluiu orientações no debate presidencial da Band, com dicas de colocação diante das câmeras e de oratória. Segundo a Veja, Marçal foi considerado "a principal novidade da campanha" no segundo turno pelos correligionários de Jair Bolsonaro, apesar da reprovação de Carlos.
Filiação ao DC e PRTB
Filiou-se ao Democracia Cristã (DC) a fim de ser candidato à Prefeitura de São Paulo em 2024; 14 dias depois, foi para o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) com o mesmo intuito.
Desempenho eleitoral
Candidato do Partido em Ano Eleitoral Votos % Resultado Ref. 2022 Estado de São Paulo PROS Vice Federal 243.037 1,02% Não eleitos.
Controvérsia
Em 2010, Marçal foi condenado por envolvimento numa quadrilha que roubou dinheiro de bancos em 2005, quando tinha 18 anos. O grupo criou sites falsos para instituições financeiras e enviou e-mails fraudulentos para roubar informações das vítimas por meio de programas conhecidos como cavalos de Tróia. Segundo a investigação, Marçal interceptou os e-mails das vítimas endereçados a um dos líderes, o pastor Danilo de Oliveira, e consertou os computadores dos criminosos. Marçal admitiu ter colaborado com o grupo, mas afirmou não ter conhecimento dos atos ilícitos. Sua condenação foi anulada em 2018 devido à prescrição retroativa.
Expedição ao Pico dos Marins
No dia 5 de janeiro de 2022, Marçal conduziu 32 pessoas na subida ao Pico dos Marins, na Serra da Mantiqueira, mas as condições climáticas eram desfavoráveis e eles não contavam com equipamentos adequados. Devido à chuva, o Corpo de Bombeiros teve que organizar uma operação de resgate do grupo com duração de nove horas. Em defesa de Marsal, o Corpo de Bombeiros disse que foi acionado por precaução, mas especialistas internos contestaram. A atitude do empresário foi duramente criticada pelas autoridades, pela imprensa brasileira e pelo bombeiro Pedro Aihara, que chamou Marçal de “fanfarrão” e “totalmente irresponsável”. Para evidenciar os riscos enfrentados pelas multidões, o programa Fantástico conduziu um grupo de especialistas às trilhas do Pico dos Marins.
Marçal foi proibido, por meio de medidas cautelares, de "realizar qualquer atividade externa, precipitadamente na natureza (seja em montanhas, picos, rios, lagos, mares, ou em locais correlatos), por si mesmo ou por interposta pessoa, sem prévia e autorização expressa da Polícia Militar”. A polícia civil iniciou um inquérito por meio de uma tentativa de homicídio possivelmente conduzida por Marçal, embora outros oficiais de justiça buscassem mal de informar o empresário. No entanto, não foi indicado ou apontado como culpado pelo ocorrido, segundo o delegado responsável, com a justificação de que os envolvidos agiram por conta própria. O resultado desse inquérito e a legitimidade do depoimento de algumas testemunhas que trabalham na empresa de Marçal foram contestados pelo Ministério Público. Condições de trabalho de funcionários
Marçal é proprietário da empresa Plataforma Internacional, que é investigada por desrespeitar as normas sanitárias durante a pandemia de COVID-19, como obrigatoriedade de uso de máscaras e isolamento social.
Bruno da Silva Teixeira, 26 anos, era funcionário da XGrow, parte da Plataforma Internacional, e morreu, após sofrer parada cardíaca, durante um desafio organizado pela empresa. O óbito ocorreu no 15.º quilômetro do percurso, que totalizaria 42 quilômetros, o dobro do proposto inicialmente. A maratona ocorreu poucos dias após Marçal vangloriar-se de ter percorrido 42 quilômetros. O caso está sob investigação da Polícia Civil. Após o caso, funcionários denunciaram que havia pressão dentro da empresa para que fizessem atividades físicas, sob o risco de demissão, e sem solicitação de exames médicos.
Notícias falsas
No contexto das eleições gerais de 2022, Marçal publicou conteúdos que ligavam o Partido dos Trabalhadores à distribuição da bolsa gay. O conteúdo foi retirado conforme determinação do Tribunal Superior Eleitoral, por se tratar de “desinformação circular”. Uma postagem de Marçal, que supostamente denunciava uma agressão sexual a uma criança, foi removida do Instagram por violar os termos de uso da plataforma. O vídeo, que mostra a cena de uma criança sendo beijada à força, foi gravado na ilha de Marajó e divulgado dias depois de Damares Alves denunciar, sem provas, casos de tortura, mutilação, abuso sexual e tráfico de pessoas contra crianças nesta ilha.
Em janeiro de 2024, Marsal fez um meme e foi criticado por seu discurso em que afirmou ter identificado um defeito em um helicóptero bem na frente dos olhos do piloto e acalmado o piloto. Vários usuários consideraram a história falsa, incluindo o especialista em aviação Lito Souza.
Em 8 de maio de 2024, a Advocacia-Geral da União (AGU) indiciou Marçal por espalhar notícias falsas sobre a resposta dos militares às enchentes no Rio Grande do Sul.
Em 9 de agosto de 2024, o Judiciário de São Paulo decidiu que Pablo Marçal, candidato à prefeitura de São Paulo. Essa decisão foi tomada em resposta a postagens nas redes sociais vinculando Guilherme Boulos (PSOL), outro candidato à prefeitura da capital, ao uso de drogas. Durante as eleições legislativas do mesmo ano, a campanha de Guilherme Boulos fez o pedido à Justiça solicitação. Pablo “inventou e forneceu fake notícias durante debate da TV Bandeirantes e em postagens publicadas nas redes sociais na madrugada do dia 8 para 9 do mesmo mês", conformou a defesa do candidato do PSOL.
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) decidiu em agosto de 2024, pela segunda vez, que Pablo Marçal, o candidato do PRTB à Prefeitura de São Paulo, removesse das redes sociais vídeos e postagem contra o adversário Guilherme Boulos, candidato do PSOL. Segundo o juiz do Tribunal, as postagens feitas por Marçal contra Boulos tem o único objetivo de difamação e não tem qualquer relevância eleitoral para os paulistanos que devem escolher em outubro daquele ano o próximo prefeito da capital paulista.
O suspeito de lavagem de dinheiro nas eleições de 2022
Em julho de 2023, no âmbito da Operação Ciclo Fechado, a Polícia Federal executou mandados de busca e apreensão contra Marçal e seus apoiadores, para investigar possíveis crimes eleitorais em sua tentativa de concorrer à presidência do Brasil nas eleições de 2022 após o controle das atividades financeiras. O Conselho (COAF) reportou 42 transações suspeitas nas contas bancárias de Pablo Marçal, que geraram suspeitas de lavagem de dinheiro. Até agosto de 2022, Marçal detinha o recorde de autofinanciamento, tendo doado mais de 500 mil reais para sua campanha. Há indícios de que estes valores pagos pela campanha foram depois transferidos para as empresas de Pablo Marçal, para ocultar a origem do dinheiro. Algumas encomendas não foram cumpridas porque só existia uma sala de jogos e uma editora nas sedes das empresas. Marçal queixou-se de perseguição política.
Não declaração de ativos para o TSE
Em agosto de 2024, a reportagem publicada pelo UOL revelou que Pablo Marçal, candidato a prefeito de São Paulo pelo PRTB, havia escondido 22 milhões de reais na declaração de bens que apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para concorrer ao município 2024. As eleições reduziram o valor de duas empresas e não declararam nenhuma na Justiça Eleitoral. Segundo ele, a discrepância nos dados foi um “simples erro, um problema contábil”.
Vida pessoal
Casado com Carol Marçal, com quem tem quatro filhos, Pablo Marçal é formado em Direito.



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